
Das empresas abertas no Brasil em 2017, só 37,9% ainda estavam ativas cinco anos depois, segundo o IBGE (Demografia das Empresas). A queda mais forte acontece entre o primeiro e o terceiro ano: 76,2% sobrevivem ao ano 1, mas só 49,4% chegam ao ano 3. As causas mais citadas pelos próprios donos são falta de planejamento antes de abrir, desconhecimento do cliente e falta de capital de giro (Sebrae-SP, pesquisa Causa Mortis).
Abrir empresa no Brasil ficou fácil. O país registrou 1,67 milhão de novos CNPJs em apenas quatro meses, alta de 14,1% sobre o ano anterior, segundo o Mapa de Empresas do governo federal. Em alguns estados, o registro sai em menos de um dia.
O problema nunca foi a entrada. É o que vem depois.
Este artigo reúne os dados públicos mais recentes sobre sobrevivência de empresas, mostra em que momento o risco é maior e o que separa quem chega ao quinto ano de quem fecha antes.
Quantas empresas fecham em cinco anos no Brasil?
Seis em cada dez. O IBGE acompanhou as empresas nascidas em 2017 e mediu quantas continuavam ativas a cada ano:
| Ano de vida | Empresas ainda ativas |
|---|---|
| Ano 1 (2018) | 76,2% |
| Ano 2 (2019) | 59,6% |
| Ano 3 (2020) | 49,4% |
| Ano 4 (2021) | 42,3% |
| Ano 5 (2022) | 37,9% |
Fonte: IBGE, Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo.
Na prática, de cada 100 empresas abertas, 62 fecharam antes de completar cinco anos.
E o saldo não se limita às empresas novas. Entre 2020 e 2022, o Brasil perdeu 210.714 empresas com funcionários, a maior parte de pequeno porte (IBGE). Cada uma delas era uma folha de pagamento.
Em que ano a empresa corre mais risco de fechar?
O senso comum diz que o primeiro ano é o mais perigoso. Os números dizem outra coisa: o período crítico vai do ano 1 ao ano 3.
- Entre o ano 1 e o ano 2, a taxa de sobrevivência cai 16,6 pontos.
- Entre o ano 2 e o ano 3, cai mais 10,2 pontos.
- Do ano 3 em diante, a queda desacelera (7,1 e 4,4 pontos).
Não é coincidência. É exatamente o intervalo em que três coisas acontecem ao mesmo tempo:
- O capital inicial acaba. A reserva que bancou a abertura se esgota e a operação precisa se pagar sozinha.
- A novidade passa. Os primeiros clientes vieram por rede de contatos e curiosidade. A partir daí, é preciso um canal de aquisição que funcione sem o dono.
- O improviso para de funcionar. O que era resolvido no braço passa a exigir processo, número e meta.
Quem chega ao terceiro ano sem processo, sem indicador e sem meta clara raramente chega ao quinto.
Por que as empresas fecham? O que dizem os próprios donos
A pesquisa Causa Mortis, do Sebrae-SP, perguntou a empresários que encerraram as atividades o que eles sabiam antes de abrir. As respostas:
| O que o dono não sabia antes de abrir | % |
|---|---|
| Os hábitos de consumo do próprio cliente | 46% |
| Quanto capital de giro seria necessário | 39% |
| Quantos concorrentes teria | 38% |
Fonte: Sebrae-SP, Causa Mortis.
São três perguntas que uma semana de pesquisa responde. Nenhuma delas foi feita.
O Sebrae também mediu o tempo de planejamento antes da abertura:
- 17% abriram a empresa sem planejar absolutamente nada.
- 59% planejaram por seis meses ou menos.
A maioria dos negócios do país nasceu de uma decisão tomada em menos de um semestre, sobre algo que vai consumir os próximos dez anos da vida de alguém.
E o dado mais revelador: 49% dos donos de empresas que fecharam apontam o planejamento antes da abertura como o fator mais importante para sobreviver (Sebrae-SP). Repare no tempo verbal. A conclusão veio depois. Enquanto a empresa estava de pé, planejar parecia burocracia.
Qual setor tem a maior taxa de mortalidade?
O comércio. Percentual de empresas que fecham em até cinco anos, por setor, segundo o Sebrae:
| Setor | Fecham em até 5 anos |
|---|---|
| Comércio | 30,2% |
| Indústria de transformação | 27,3% |
| Serviços | 26,6% |
| Agropecuária | 18,0% |
| Indústria extrativa | 14,3% |
Fonte: Sebrae. A base e a metodologia diferem da série do IBGE, por isso os percentuais não se somam aos da tabela anterior.
O comércio lidera por um motivo simples: margem apertada, estoque parado e concorrência a cada duas esquinas. Um erro de precificação aparece no caixa em 30 dias.
Saber o risco médio do seu setor não é pessimismo. É informação para decidir quanto de reserva você precisa antes de crescer.
MEI fecha mais que microempresa?
Sim. Ainda segundo o Sebrae, fecham em até cinco anos:
- MEI: 29%
- Microempresa: 21,6%
- Empresa de pequeno porte: 17%
Ser MEI aumenta em cerca de 70% a chance de fechar em relação a uma empresa de pequeno porte. Não porque o dono de MEI seja pior gestor, e sim porque estrutura dá fôlego: acesso a crédito, gestão minimamente separada da operação e caixa para atravessar um trimestre ruim.
Estrutura não é luxo de empresa grande. É o que permite errar sem quebrar.
O que as empresas que sobrevivem fazem diferente
Os dados de mortalidade apontam o mesmo padrão: a empresa raramente fecha por causa do mercado. Fecha porque entrou nele sem saber para onde ia, quanto custava cada cliente e quanto caixa precisava para atravessar um período ruim.
Do lado oposto, o IBGE identifica as empresas de alto crescimento: 70.032 negócios que aumentaram a equipe em pelo menos 10% ao ano por três anos seguidos e, juntos, criaram cerca de 4 milhões de empregos. O que elas têm em comum raramente é o produto. É ter um objetivo definido, saber qual indicador acompanhar e revisar a rota antes do prejuízo aparecer.
Na prática, isso se traduz em quatro hábitos:
- Diagnóstico antes de meta. Saber de onde a empresa está saindo antes de definir onde quer chegar. Veja por que a meta vem depois do diagnóstico.
- Número no lugar de opinião. Custo de aquisição, margem por produto e ponto de equilíbrio acompanhados todo mês. A calculadora Quanto você precisa vender resolve o ponto de equilíbrio em dois minutos.
- Reserva proporcional ao risco do setor. Comércio precisa de mais fôlego que agro.
- Uma prioridade por vez. A empresa que tenta resolver tudo ao mesmo tempo resolve tudo pela metade. A matriz GUT ajuda a escolher.
Em resumo
- Só 37,9% das empresas brasileiras abertas em 2017 chegaram ao quinto ano (IBGE).
- O período mais perigoso é do ano 1 ao ano 3, quando o capital inicial acaba e o improviso para de funcionar.
- 46% dos donos de empresas que fecharam não conheciam os hábitos do próprio cliente; 39% não sabiam de quanto capital de giro precisariam (Sebrae-SP).
- 17% abriram sem planejamento algum e 59% planejaram por seis meses ou menos (Sebrae).
- Comércio e MEI são os recortes de maior risco.
- Empresas que sobrevivem e crescem medem antes de decidir e revisam a rota com frequência.
Perguntas frequentes
Qual a taxa de mortalidade das empresas no Brasil?
Segundo o IBGE, 62,1% das empresas abertas em 2017 fecharam em até cinco anos. Só 37,9% estavam ativas em 2022.
Quantas empresas fecham no primeiro ano?
Das empresas nascidas em 2017, 23,8% fecharam no primeiro ano, já que 76,2% continuavam ativas em 2018 (IBGE).
Qual o principal motivo de fechamento de empresas?
Na pesquisa Causa Mortis, do Sebrae-SP, os fatores mais frequentes são falta de planejamento antes da abertura, desconhecimento do cliente e falta de capital de giro. 49% dos donos de empresas que fecharam apontam o planejamento prévio como o fator mais importante para sobreviver.
Qual setor tem mais empresas fechando?
O comércio, com 30,2% de fechamento em até cinco anos, seguido pela indústria de transformação (27,3%) e serviços (26,6%), segundo o Sebrae.
MEI tem mais chance de fechar?
Sim. 29% dos MEIs fecham em até cinco anos, contra 21,6% das microempresas e 17% das empresas de pequeno porte (Sebrae).
Como saber se a minha empresa está em risco?
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Fontes
- IBGE. Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022. ibge.gov.br
- Sebrae-SP. Causa Mortis: o sucesso e o fracasso das empresas nos primeiros 5 anos de vida.
- Sebrae. Sobrevivência das empresas no Brasil.
- Governo Federal. Mapa de Empresas. gov.br
Escrito por Rhaunn Moraes, consultor estratégico da Raja Consultoria Estratégica, em Curitiba.